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A tatuagem como elemento de identificação

A tatuagem como elemento de identificação

Entre tantas formas de identificação que foram sendo alteradas com o passar do tempo, partilhamos hoje uma que, assumiu nos dias de hoje um cariz mais estético mas que já foi uma das poucas formas de identificação de um indivíduo.

Da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), chega-nos o Álbum de Tatuagens. Um livro que pertencia ao Posto Antropológico criado na Penitenciária de Lisboa em 1915, onde se inscreviam todas as tatuagens dos reclusos, com o intuito de fazer um correto reconhecimento do indivíduo e estudar o seu percurso de vida através da iconografia tatuada. Um livro de grande importância pois muitas são as histórias que contam que apenas se reconheciam as pessoas pelas tatuagens que mostravam.

Neste Álbum, de 146 páginas, desenhavam-se não só as tatuagens de cada um dos reclusos mas também se registavam a respetiva localização no corpo, o número do processo individual do recluso e o número do respetivo boletim. Por exemplo, muitos reclusos apenas sabiam identificar outros com quem tinham cometido crimes através das tatuagens que tinham, ou pessoas com quem se tinham cruzado… Ouvir referências como «o Manuel das cruzes» serviria para identificar um indivíduo que teria muitas cruzes tatuadas; ou «o António das ilhas» poderia ser alguém que tivesse vindo das ilhas e tivesse tatuado referências a isso – nomes de locais tatuados, desenhos de partes do mapa…

Nos inúmeros desenhos de tatuagens encontram-se elementos como nomes de pessoas, barcos, aviões, peixes, armas, condecorações, elementos iconográficos que remetem para aspetos políticos, culturais e religiosos, entre outros.

É do Instituto Nacional de Medicina Legal de Lisboa (INML) que nos chega também uma outra abordagem ao registo de tatuagens em indivíduos. São muitos os documentos deste espólio que demonstra, detalhadamente, a descrição e integração do indivíduo no seu meio, os seus hábitos, os seus crimes, a sua história.

E assim surge Tatuagem – Uma exposição tutelada pelo INML  que «nasce da coleção de pele humana tatuada de 1910 a 1930» e que estará patente no MUDE – Museu do Design e da Moda de 1 de dezembro até 1 de março de 2017.

 

Duas entidades diferentes, dois serviços diferentes do Ministério da Justiça, que conseguem hoje ‘tocar’ numa mesma forma de nos identificarmos como indivíduos inseridos numa comunidade, ou tantas vezes se distinguirem de outros grupos, como forma de mostrar escolhas religiosas, entre outros como, aliás, ainda hoje acontece.

Em dezembro acompanharemos a exposição, até lá, fica uma imagem do Álbum de Tatuagens da DGRSP.

 

 

 

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