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Quem foi Crispiniano da Fonseca?

Quem foi Crispiniano da Fonseca?

Os alicerces de qualquer instituição, de qualquer serviço, estão nas pessoas que os criam, que os elevam, que voluntariosamente se dedicam a mais do que, por dever ou obrigação, seria de esperar deles.

De todos os que vão além do que é obrigatório, além do que lhes é exigido.

E muitas são as vezes, nas histórias dessas instituições e serviços, que conseguimos encontrar verdadeiros exemplos de empenho e esforço. Aqueles nomes que são mencionados por todos com orgulho e satisfação.

Crispiniano da Fonseca é um desses nomes. Alguém que é referenciado pelos pares como tendo sido de grande importância para a história da Polícia de Investigação Criminal e da Polícia Judiciária e, em especial, do longo caminho que iniciou para a sua autonomização e inserção no Ministério da Justiça.

 

Adriano António Crispiniano da Fonseca (1884-1979), Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, exerceu advocacia em Marco de Canaveses, foi Deputado da Nação, Juiz de Direito em várias Comarcas e Diretor da Polícia Judiciária de Coimbra.

Entre 1923 e 1925 foi Diretor da Polícia de Investigação de Lisboa. Nesta altura não existia uma Diretoria Nacional e, por essa razão, os diretores das Polícias de Investigação Criminal (PIC) de então – Lisboa, Porto e Coimbra – reportavam diretamente ao Ministro.

Nesta época a PIC ainda se encontrava na dependência do Ministério do Interior e foi logo aqui que Crispiniano da Fonseca demonstrou ter um papel determinante, e um pilar fundamental, nas profundas mudanças que se avizinhavam. Foi autor de um dos primeiros projetos para a reorganização da PIC e a sua integração no seio do Ministério da Justiça e dos Cultos (Projeto Lei de 1923).

Foi também por sua iniciativa que se iniciou a elaboração de relatórios anuais aos serviços da PIC, em 1923, assim como as Ordens de Serviço “privativas” da PIC tendo estas sido mantidas ininterruptamente e cuja coleção se encontra disponível no Centro de Documentação e Arquivo da Polícia Judiciária.

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Ninguém ignora que à frente da investigação de Lisboa está o Dr. Crispiniano da Fonseca que, a par da mais alta competência para o desempenho deste cargo, o exerce com a devoção indispensável a tão melindrosas e difíceis funções. Amanhã, por interesse partidário, qualquer governo lhe poderá dar por finda a sua missão, e assim todos os trabalhos, lutas e sacrifícios – que são muitos – do Dr. Crispiniano da Fonseca ficarão perdidos e prejudicados ficarão os serviços de investigação, porque ficam sem a continuidade exigida e reclamada por Reiss, D’Alongi, Du Champ e tantos outros que sabem o que é a polícia”.

Eurico de Campos, Diretor da PIC de Coimbra em 1924, referindo-se ao trabalho de Crispiniano da Fonseca.

 

Detalhe

A 16 de maio de 1935 Crispiniano da Fonseca era aposentado compulsivamente da função pública. À altura era juiz do 8.º Juízo Criminal de Lisboa e tornou-se, assim, mais um nome na grande lista de funcionários públicos opositores ao Estado Novo que seriam demitidos – aposentados ou reformados compulsivamente – no âmbito do Decreto-Lei 25317, de 13 de Maio de 1935.

Um profissional dedicado ao que julgava ser mais eficaz e funcional com vista a melhorar o serviço da Polícia. Com ideias e práticas manifestamente contrárias ao regime de então que desbravou, voluntariosamente, um caminho e uma referência impulsionadora do que hoje, também, é a Polícia Judiciária.

 

 

 

 

Todas as imagens foram cedidas pelo Centro de Documentação e Arquivo Geral da Polícia Judiciária.