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Ópera na prisão

Ópera na prisão

Apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do programa PARTIS, o Projecto Ópera na Prisão resulta de uma parceria estabelecida entre o Estabelecimento Prisional (EP) de Leiria – Jovens, a SAMP – Sociedade Artística e Musical dos Pousos, a Escola de Dança Clara Leão, a Câmara Municipal de Leiria e a Fundação Caixa Agrícola. O envolvimento ativo destes parceiros, tanto entidades públicas quanto entidades privadas, é vital numa lógica de interligação e complementaridade de atores sociais e agentes de mudança.

O Projeto Ópera na Prisão guia-se por duas ideias chave, determinantes para o seu sucesso: o desenvolvimento das capacidades pessoais dos reclusos e o favorecimento dos processos de mudança imprescindíveis à reintegração social.

No passado dia 30 de junho, o espetáculo «Ópera na Prisão» foi integrado nas comemorações dos 60 anos de vida da Fundação Calouste Gulbenkian e encheu o Grande Auditório.

É preciso ter voz, dedicação, vontade de fazer bem feito. Ensaiam-se as vezes que forem necessárias. «Não faltam aos ensaios. Mas é necessário manter um nível de entusiasmo e comprometimento desde o primeiro momento em que se pensa neste projeto. Por vezes é difícil e alguns acabam por desistir… não nos podemos esquecer que estamos a falar de um ambiente prisional e com todas as condicionantes que isso acarreta» diz-nos a Psicóloga do Estabelecimento Prisional de Leiria, Dra Carla Pragosa, que salienta ainda a componente de reeducação nesta população.

Dedicação e disponibilidade não só dos reclusos envolvidos mas também dos inúmeros profissionais, psicólogos, guardas prisionais, técnicos e funcionários do Estabelecimento Prisional (EP) de Leiria, incluindo o Diretor deste EP, Dr. José Ricardo Nunes, que para além da gestão e incentivo a este projeto também se junta ao corpo de atores/cantores na peça. «É um trabalho de grupo, estamos todos a trabalhar juntos» assegura.

Incluir. Desenvolver. Integrar.

Através da música, os reclusos adquirem a consciência de que são capazes de responder a desafios positivos e, consequentemente, de que são capazes de mudar as suas vidas. Estarão assim mais aptos, após a libertação, a reintegrar-se na sociedade e conduzir as suas vidas de modo socialmente responsável.

 

Há sempre um burburinho… Quem já esteve do lado de lá da cortina sabe que nos momentos que antecedem a atuação há sempre um burburinho. O tal nervoso miudinho que segreda ao ouvido «Será que vão gostar?».

A cortina abre-se e nós estamos preparados para ouvir Ópera. E foi isso mesmo que ouvimos.

Uma ópera em dois atos, numa versão adaptada aos condicionalismos técnicos resultantes, maioritariamente, dos espaços do meio em que se encontram estes cantores/atores.

São 17 reclusos em cena, solistas profissionais, uma orquestra, bailarinas, figurantes, técnicos de som, de luz, cenografista, caracterizadores, adereços, guarda-roupa, um vasto leque de profissionais que se entregaram neste trabalharam em conjunto para trazer à cena um excelente espetáculo.

O que significa estarem ali? Respeito. Aprendizagem. Trabalho de equipa. Orgulho. Esperança. Sonho. A resposta é transversal.

 

Iniciado em 2014 este projeto, com termo em 2016, contou com a participação de 50 reclusos em 6 espetáculos:

18 e 19 de julho de 2014 – Teatro Miguel Franco;

23 e 24 de outubro de 2015 – Espetáculo para a comunidade prisional no Estabelecimento Prisional de Lisboa: ópera “Don Giovanni”, de Mozart

Este ano já teve lugar o espetáculo do passado dia 30 de junho no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian e para quem não conseguiu assistir pode ainda assistir ao Espetáculo final deste projeto, no dia 17 de setembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Terminado este projeto haverá mais tempo para se dedicarem ao próximo, já iniciado o novo projecto «Ópera na Prisão – Pavilhão Mozart» que decorrerá até final de 2018 e que se centrará em torno da ópera de Mozart “Cosi Fan Tutte”.

 

Antes da cortina fechar surge mais uma surpresa.

A moral da história encerra o espetáculo com um rap escrito e interpretado por 4 solistas reclusos, clamando pelo que todos anseiam.

«Tu não nasceste aqui

Não vais morrer aqui

Um dia vão-te abrir a porta

Para saíres daqui

 

Nigga analisa

Depois concretiza

Tropa vai na fé

Que a liberdade está a chegar.»

 

Reeducar! Reintegrar!